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sábado, 20 de novembro de 2010

Coisas da vida - Qual a cor da consciência?


Era uma daquelas manhãs em que a gente acorda morrendo de fome, após eu lavar o rosto, escovar os dentes, esquentei o leite, o café, preparei um delicioso pão com manteiga e quando fui colocar o pão na boca, ouvi uma discussão que vinha do chão, perto da porta da cozinha.
Fiquei procurando, e vi ali bem perto da porta da cozinha, duas formigas discutindo, aparentemente por uma migalha de pão.
Elas discutiam reivindicando aquele território e também o cisco de pão, uma formiga era a saúva, aquelas vermelhas, a outra era uma do gênero formiga negra, elas batiam boca, e estavam quase chegando a vias de fato, vendo aquilo tive que interromper a discussão :

Ei vocês, dá prá parar com isso, não vê que ainda é muito cedo,  com essa gritaria, vocês irão acordar todos na casa!

Eis que a formiga saúva respondeu :
- Fala isso prá ela aqui, ela invadiu meu território prá roubar comida!

E a formiga do gênero negra, rebateu :
- Invadi nada, estava procurando algo para levar para o formigueiro, quando avistei este cisco de pão, você é que é folgada e se acha dona de tudo!

A saúva retrucou:
- É você que é folgada e acha que pode sair por ai pegando tudo...

Vendo que aquela situação iria continuar, interferi :

Ei, vocês duas, parem com essa merda de discussão inútil, faz o seguinte, cada uma leva um cisco de pão e sigam seus rumos, vão caindo fora...agora...

Uma olhou para outra com um "ar" de superioridade, cada qual com seu cisco de pão, tomaram rumos diferentes e desapareceram na "imensidão do quintal".

Após aquele incidente pela manhã, decidi escrever, e quando comecei a escrever, me veio a lembrança das formigas e a intolerância das duas por serem de "raças" diferentes.
Falando nisso, me lembrei do dia da Consciência Negra que é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, que ocorreu em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro que aconteceu em (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
É interessante quando se fala em preconceitos, fui procurar o significado no dicionário: preconceito (pre-con-cei-to)
Fôrma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total.Basicamente significa, a opinião que se tem antes de conhecer algo.
Como se vê, o seu significado é bem extenso, e éssa palavra é muito utilizda em relação ao racismo, que significa: subst m racismo [ʀa'siʒmu]
Discriminação em relação a um grupo de indivíduos.
Outro dia estava na cidade e vi um cidadão negro com uma camiseta com os dizeres:
100% negro, isso não poderia ser encarado como uma forma de preconceito em relação as outras etnias?

E se fosse um cidadão branco com uma camiseta com os dizeres:  "100% branco", será que seria encarado como uma coisa normal ou seria encarada como racismo?
Nessa semana de Consciência Negra, acontecem eventos com premiações a negros de destaque na sociedade, como atores, músicos, jornalistas, educadores etc...
E se tivéssemos a semana da Consciência Branca, com o mesmo tipo de premiação, como seria visto este tipo de atitude? Ou semana Amarela, ou vermelha?
Temos também a Universidade Zumbi dos Palmares, que tem o seu corpo estudantil, quase que na totalidade, formada por alunos negros, será que não se poderia se ver nisso uma forma de preconceito em relação a brancos, amarelos, indios etc.
E se criassem uma universidade só para brancos, amarelos, vermelhos, como seria encarado isso?
Se tivermos que previlégiar os excluidos, então porque não criar:
Dia do Pobre, dia dos sem terra, dia do nordestino, dia dos faminto, dia do amarelo, dia do vermelho, dia do salário minímo etc e vamos lhes dar os mesmos previlégios, isso não seria justo?

Temos as cotas universitárias, não seria mais fácil competir em igualdade com as outras etnias? Pelo que tenho analisado, uma grande parte dos estudantes negros não acham que isso seja certo, que seja justo.
Com esse tipo de favorecimento das cotas, sai perdendo o estudante pobre que além de ter que competir com os alunos "filhinhos de papai", vão ter que esperar a sobras de tudo isso para ver se conseguem alguma migalha.
No fim dos anos 70, eu acompanhei isso de perto, eu morava perto da escola, a grande maioria de meus amigos eram negros, nunca tive problema com isso e nem enxergava a diferença de pigmentação de pele como algo que pudesse distanciar nossos relacionamentos ou amizades.

Um de meus grandes amigos foi o Jonas que todo dia vinha jantar em casa e deixava sua mala de trabalho antes e ir estudar, após as aulas, ele saia da escola, voltava em casa, pegava a sua mala de trabalho e ia para sua casa.
Naquele período, se faziam "festas" nas casas, me lembro muito bem, algumas dessas festas eram diferenciadas, meus amigos negros, faziam festas exclusivas, aonde só entravam os negros, com algumas exceções.
De branco só eu e um amigo, o "injeção", ele tinha esse apelido porque trabalha em uma farmácia, só eu ele íamos nas festas de nossos amigos negros.
Cheguei a ter uma banda de rock na escola, meus amigos da formação da banda eram três negros, e dois brancos, contando comigo.
Fico pensando como as pessoas possam se achar "superiores" pelo simples fato do pigmento de sua pele ser diferente da pele do outro, como se um bom caráter pudesse ser medido pela cor da pele, isso é um absurdo, não cabe mais nesse novo período que vivemos.

Analisando tudo que acompanhei, sou contra essa coisa de um dia especial ou exclusivo para uma etnia, que tal a criação do Dia da Vida, aonde as pessoas pudessem comemorar a vida, aonde as pessoas se respeitassem pelo seu caráter, pela sua dignidade?

Talvez eu seja um grande sonhador, talvez eu também tenha tido uma educação aonde desde muito jovem aprendi que as diferenças não esta na cor da pele.
Graças a Deus, as novas gerações estão chegando com uma "nova cabeça", entendendo que essa coisa de preconceito é um comportamento primitivo e ultrapassada e que isso não tem mais espaço na sociedade moderna.
Acredito que o que realmente importa nesse nosso planeta cheio de loucos, desequilibrados, desvairados, é procurarmos a felicidade, o nosso bem estar e das pessoas que nos cercam e só seremos felizes o dia que conseguirmos respeitar e conviver com as diferenças.
Eu precisava de uma segunda opinião, liguei pro João, meu amigo, inclusive para quem não conhece, ele é negro, e eu queria saber a opinião dele a respeito desse assunto:

- E ai João belele?

Fala Dió, tudo bem? E ai o que manda?

- João, nesse dia 20 de novembro se comemora o dia da Consciência Negra, o que você acha disso?

Cara, não tô nem ai prá isso, se eu como negro comemorar esse dia, acho que estarei
sendo preconceituoso em relação as outras raças, a minha opinião é que pau que dá em Chico, dá em Francisco! A minha consciência não tem uma cor especifica, ela esta nas minhas atitudes!

- E esse negócio de usar a camiseta com os dizeres, 100% negro?

Eu já vi muitas dessas, o único dizer que eu colocaria em uma camiseta é:

O resto pouca diferença acrescenta no meu crescimento como pessoa ou como cidadão!

Fui...